Superprodução da Amazon, ‘Jack Ryan’ refunda bases para boas séries de ação

Disponível na plataforma de streaming desde 31 de agosto, “Jack Ryan” articula clichês de maneira inteligente, tem ação em nível incomum para séries de TV e elenco em grande forma. Leia a crítica da produção a seguir

Criado nos anos 80, em meio à paranoia da Guerra Fria, pelo professor de inglês convertido em escritor Tom Clancy, Jack Ryan foi uma das personificações mais vívidas de um agente da CIA na literatura ficcional. Com James Bond bombando no cinema não demoria para o personagem ganhar Hollywood.

John Krasinski%3A personificação definitiva de Jack Ryan%3F

John Krasinski%3A personificação definitiva de Jack Ryan%3F

Foto: Divulgação

“Caçada ao Outubro Vermelho” (1989), “Jogos Patrióticos” (1992), “Perigo Real e Imediato” (1994), “A Soma de Todos os Medos” (2002) e “Operação Sombra: Jack Ryan” (2014) foram os filmes inspirados no personagem produzidos por Hollywood com Alec Baldwin, Harrison Ford, Ben Affleck e Chris Pine, respectivamente, na pele do agente.

Está na disponível no Amazon Prime Video desde a última sexta-feira (31) a série “Tom Clancy´s Jack Ryan”, a primeira de muitas superproduções da plataforma de streaming que aposta em verdadeiros blockbusters para streaming para rivalizar com a Netflix em um escopo global.

O novo Jack Ryan

Cena de Jack Ryan%3A de analista a espião

Cena de Jack Ryan%3A de analista a espião

Foto: Divulgação

John Krasinski, que causara sensação no começo do ano com o longa “Um Lugar Silencioso” assume o personagem principal e dá a ele uma singular combinação de densidade e leveza. Seu Ryan é um analista da CIA geek e voluntarioso que aos poucos se vê empurrado para o trabalho de campo, atuando cada vez mais como um espião.

Um lobo em pele de cordeiro, como aponta uma personagem quando a ação se desloca para Paris. Além de flagrar os conflitos internos que acometem seu protagonista na caçada pelo sofisticado terrorista Suleiman (Ali Suliman), a série tem locações e ação incomuns para um programa de TV.

Esse engenho logístico ganha ainda mais força com o apoio de um roteiro esperto e muito bem desenvolvido ao longo dos oito episódios que marcam essa primeira temporada.

Ciclo vicioso

Em Jack Ryan%2C os vilões ganham relevo e densidade incomuns para produções americanas do gênero

Em Jack Ryan, os vilões ganham relevo e densidade incomuns para produções americanas do gênero

Foto: Divulgação

Ainda que mire o entretenimento ligeiro, e seja plenamente eficiente nesse departamento, a série da Amazon se notabiliza por um adendo incomum em produções dessa estirpe. O programa observa com zelo e perspicácia as motivações de árabes islâmicos e como o elemento humano atua nesse contexto.

A personagem símbolo desse raciocínio da série é Hanin (Dina Shihabi), esposa de Suleiman que se encontra em um dilema cada vez mais sufocante à medida que nota a radicalização do marido. É curioso que em uma série tão testosterona, resida em uma personagem feminina, e em um conflito eminentemente emocional, seu grande trunfo.

“Jack Ryan” é um acerto justamente por conjugar tão brilhantemente elementos tão distintos, mas complementares em uma série que quer ser grande e hypada, mas que para isso não renuncia a pilares básicos do bom, e mais completo possível, entretenimento.


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