Endometriose não é fim da linha para sonho da maternidade

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Com tratamento adequado, pacientes que planejam engravidar podem ter uma gestação saudável

Um dos aspectos mais desafiadores da endometriose — doença que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), atinge 10% da população feminina — é a infertilidade. Estima-se que até 50% das mulheres com endometriose tenham dificuldade para engravidar. No entanto, com tratamento adequado, é possível conceber e levar uma gestação saudável até o fim.

A endometriose é uma condição na qual o tecido que reveste o útero cresce fora dele, geralmente nos ovários, trompas de falópio ou outras estruturas pélvicas. A doença pode causar cólicas intensas e dor durante a relação sexual, além de outros sintomas. A exata razão pela qual a endometriose afeta a fertilidade não é totalmente definida. No entanto, existem fatores potenciais que podem contribuir para a dificuldade na concepção.


Um deles é que a endometriose pode causar tecido cicatricial ou a formação de aderências entre estruturas do corpo, que podem interferir no bom funcionamento dos órgãos reprodutivos, dificultando a passagem do óvulo entre o ovário e o útero ou a chegada do esperma ao óvulo. Outro ponto é que ela pode causar inflamação, que tende a prejudicar a qualidade dos óvulos ou interferir na implantação deles. Também pode afetar o equilíbrio hormonal do corpo, interrompendo a “dança” dos hormônios, necessária para a ovulação e a gravidez.

Além disso, algumas mulheres com endometriose podem ter outras condições que complicam ainda mais a fertilidade, como a síndrome dos ovários policísticos ou miomas uterinos.

Apesar desses fatores preocupantes para quem está planejando a maternidade, ser diagnosticada com endometriose não deve pôr fim aos planos de ser mãe, segundo o médico Patrick Bellelis, colaborador do setor de endometriose do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HCFMUSP)

“Existem vários tratamentos disponíveis que podem ajudar mulheres com endometriose. Após um diagnóstico preciso, definindo os sintomas de cada uma e a gravidade da doença, o médico pode indicar o melhor caminho. O fato é que, quanto antes o diagnóstico for feito, mais chances de sucesso ele terá”, esclarece.

Para quem ainda está tentando engravidar e sofre com endometriose, os cuidados médicos podem envolver mudança de hábitos, tratamento hormonal e até mesmo cirurgia, recomendada em casos mais complexos. Nela, o médico irá remover o tecido endometrial em excesso ou aderências, o que pode melhorar a fertilidade, reduzindo as barreiras físicas à concepção.

Já no caso de mulheres que engravidam espontaneamente tendo endometriose, uma série de cuidados são exigidos: “Quem tem o diagnóstico tem mais probabilidade de sofrer aborto, parto prematuro, ruptura das veias que irrigam o útero e complicações relacionadas à placenta”, cita o médico. “Por isso, é recomendado um período pré-natal mais personalizado, com acompanhamento regular para observar a evolução da doença e da gestação”, acrescenta.

O especialista lembra que a endometriose é uma condição complexa, que pode causar dor e sofrimento para as mulheres, por isso, é importante buscar tratamento não somente quando estão tentando engravidar, mas também para melhorar a qualidade de vida.

“É preciso deixar claro que muitas mulheres com endometriose são capazes de engravidar e ter uma gestação saudável com a ajuda do tratamento adequado. Qualquer pessoa que sofra com a infertilidade e suspeita de endometriose deve imediatamente procurar um médico. Com os cuidados certos, é totalmente possível aumentar as chances de engravidar”, conclui Bellelis.

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