Movimentos contra o racismo impulsionam livros sobre o tema no Brasil

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O assassinato de George Floyd em Minneapolis gerou reações em cadeia. Manifestações antirracistas tomaram as ruas mundo afora, artistas e influencers assumiram posições contundentes, quadrados pretos em sequência inundaram o feed do Instagram pelo #blackouttuesday.

Outro reflexo foi o aumento da busca por livros que falam sobre preconceito racial, crescimento revelado pela profusão de títulos sobre o tema.


O mais emblemático é o de título já sugestivo: Pequeno Manual Antirracista (Companhia das Letras), da escritora e ativista brasileira Djamila Ribeiro. Com mais de 10.000 cópias vendidas na última semana, o guia traz dez apontamentos capitulados para entender as origens do racismo, as formas de combatê-lo e a atualidade de temas como negritude, privilégio branco e violência racial.

A autora também emplacou outros dois títulos na categoria não-ficção: Quem Tem Medo do Feminismo Negro? (Companhia das Letras) e Lugar de Fala (Pólen Livros), lado a lado com o ensaio Racismo Estrutural (Pólen Livros), do advogado e escritor Silvio Almeida, e do best-seller Escravidão (Globo Livros), de Laurentino Gomes.

Em um conjunto de três volumes, o escritor e jornalista traça a história do mercado escravocrata e conta como o racismo é um aspecto estrutural da sociedade. O primeiro volume, lançado em 2019, foca no continente africano e em como o tráfico negreiro foi basilar na colonização europeia nas Américas. O segundo e o terceiro, ainda não lançados, vão reconstruir, respectivamente, o emprego de mão de obra escrava em minas de ouro e diamante no Brasil, e o movimento abolicionista.

Angela Davis, septuagenária e ícone do ativismo negro americano, não fica para trás. Também em não-ficção, a célebre militante assina Mulheres, Raça e Classe e Educação e Libertação (ambos da editora Boitempo). Em uma coletiva de imprensa para jornalistas do Brasil, parte de um evento protagonizado por ela no ano passado em São Paulo, a autora disse ter ficado “extremamente impressionada com a profundidade do trabalho realizado no Brasil.

Para muitos de nós, ativistas americanos, o Brasil era um uma esperança, até que vieram as eleições, e nós prometemos não pronunciar o nome de quem foi eleito. Porque na tradição das religiões africanas nomear é atribuir energia de poder”. Na ocasião, ela não citou os presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump nominalmente.

Na categoria de ficção, subiu em vendas o romance O Sol É Para Todos (Record), de Harper Lee, clássico da literatura americana, que acompanha a desigualdade racial nos Estados Unidos pós-escravagista sob os olhos de uma família branca. Olhos D’Água (Pallas), da brasileira Conceição Evaristo, também se destaca: nele, a autora engendra histórias intensas, por vezes brutais, de mulheres negras como ela.

Ao todo, são quinze contos que refletem sobre pobreza, miséria, desigualdade e dilemas sobre a vida, o amor e a ancestralidade africana. As veteranas ganham a companhia da jovem autora nigeriana pop Chimamanda Ngozi Adichie, com o ótimo livro Americanah (Companhia das Letras). Na obra com pinceladas autobiográficas, ela reflete sobre os pré-conceitos que os americanos possuem sobre os africanos quando a protagonista nigeriana se muda para os Estados Unidos e por lá fica 15 anos — ao retornar ao país de origem, porém, sua identidade e hábitos mesclados são temas de reflexão e estranhamento.



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